Único fragmento restante da
“Ética à menisqüência”, de um certo
pseudo-Aristóteles do século XX.
“Ética à menisqüência”, de um certo
pseudo-Aristóteles do século XX.
Tendo já tratado da viadagem congênita e da baitolagem adquirida, parece-nos conveniente agora avançar à terceira das formas de decadentismo humano, a saber: a bichice moral.
A bichice moral nada ou muito pouco tem que ver com a bichice comum, a que poderíamos chamar “bichice física”. Acontece que o uso consagrou a aplicação do vocábulo bicha a qualquer ser humano, independentemente do gênero, que faz ou diz algo passível de ser qualificado como falto de hombridade.
Dizemos “falto de hombridade” um ato praticado – por vergonha, medo, preguiça, confusão, comodismo ou outra razão insuficiente para justificá-lo – que vá contra a natureza da condição do seu sujeito.
De modo que, e.g., um homem que deixa de comparecer ao aniversário de um amigo por “não ter roupa” perpetra sem dúvida um ato de bichice moral, visto que nega com sua a ação a natureza da sua condição de amigo, ainda que ele próprio venha a afirmá-la com as suas palavras. Outrossim, uma mulher que se entrega a conversas difamatórias acerca da reputação de uma amiga comete um ato de bichice moral. Há ainda muitas situações, diferentes no acidental e semelhantes na essência, em que a terceira forma de decadentismo humano é observável: o jovem que adia o matrimônio porque ainda não ter certeza do que quer da vida ou por medo às responsabilidades; o aluno que falta a uma reunião de estudos com os colegas por “não estar afim”; o suscetível facilmente melindrado por qualquer chiste et cetera.
Em geral, qualquer posição dúbia assumida por falta de hombridade pode ser classificada como um ato de bichice moral.
O erro, o deslize comum, por burrice, ignorância ou fraqueza não é bichice moral. Ninguém é infalível. Acontece que a bicha moral quer acobertar os seus erros com desculpas mais rotas que as roupas de um mendigo.
Os mitos dos poetas oferecem-nos exemplos de bichas morais. Aquiles certamente é um deles, bem como Ájax. E é conhecido mesmo das mulheres e dos escravos o hino...*
(*) O documento torna-se ilegível a partir deste ponto. Especialistas concordam, todavia, que o hino referido é “Walk Like A Man”, de Frankie Valli & The Four Seasons, exortação à virilidade moral que reproduzimos abaixo:
“I don't-a mean maybe”

6 repetindo:
Pior que ebola, se alastra com grande facilidade e causa a visível decadência da sociedade. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... que merda!
Ótimo texto!
kkkkkkkkkkkkkkkkk
é, Maninho, mas há a contracorrente! heheheh
Abração e valeu!
Nossa, não creio tratar-se o presente certame da postagem mais aguardada do ano de 2008!!! Nooooooossa, e como ficou bom, muito melhor do que eu imaginava!!! O conceito é genial, embora alguns militantes gays se muito injuriassem. Mas e aí?
Caralho, tá genial!
Obrigado, Lia my dear! A safra ajudou muito nas elucubrações acerca do tema. Então, o crédito é de todos!
Esperam q os militantes não se ofendam. Na verdade, pus todo o cuidado para q isso não acontecesse. Mas se se ofenderem, o q fazer? Estarão agindo como bichas morais... hehehe
Mallu Magalhães é bichisse moral, não é? rs...
Vou te contar, poderia ajudar a enumerar casos aqui no blog, mas temo ser taxada de chatinha, implicante e intolerante! hahaha!
bjos, querido!
Clau: com certeza, Mallu Magalhães é. "Tchubaruba", afff
Quanto à enumeração, quem te achar chatinha por causa dela, incorrerá num ato de bichice moral, hehehehe
bjos!
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